Ossos quebrados, contudo o peso dos ombros lhe e
suportado, fatos incômodos pela mente traçam caminho,
plantam espinhos, pesam sobre o corpo franzino.
Passos lentos, demorados rumo ao precipício,
inerente alento das asas formadas pelo ar
sobre milhões de átomos invisíveis se joga perante
o luar. Milhares a presenciar a cena a se desenrolar
a cerca de um humano que imagina ser pássaro e cisma
que terá asas para o peso suportar, a alma pesada que
o corpo não consegue segurar, pende para o lado
se torna pássaro morto da noite, amanhece no chão
as asas a se dissipar no ar, causa da morte se resume em
sonhar, cogitar, pensar
que ossos quebrados podem um dia asas se tornar.
Letícia Gomes

(Source: poesilar)

(Reblogged from ojerizar)

Reginaldo amava prostitutas.

Reginaldo era incrédulo! Pobre homem infeliz e entediado, que nunca mais havia se apaixonado, e em muitas décadas nunca mais havia sido amado por uma mulher. Nunca arrancou suspiros das senhoras… — Porra, não me fode! — Reginaldo, por falta de amor, vivia estressado, não tinha calma pra nada, e todo dia, era o dia perfeito para causar uma bela guerra. Reginaldo era incrédulo, Reginaldo não acreditava no amor. — Em quê?

Reginaldo, em sua deprimente busca por algo menos entediante que a vida, buscava o sexo livre-quase-grátis com as prostitutas, era sua única diversão. Reginaldo não tem família, não tem amigos, mas em compensação, tem dinheiro para dividir com as mulheres da vida. Reginaldo sofria. Todas as noites, assim que a diversão acabava, Reginaldo lamentava. — De novo… mas de novo? Mais uma se vai, não me sobra nada… eu nunca fico com nada mais do que uma noite… Quanto me cobram pra passar a vida inteira comigo? — Reginaldo estava cego. Para ele, dinheiro comprava amor, amor comprava dinheiro. E vice-versa. Reginaldo era idiota. — A mãe. — Só não aceitava isso..

Reginaldo era um velho gordo, parecido com Bukowski, e bem sucedido. Podre de rico! Estudado, homem inteligente, casas, carros, empregadas, empresas, a vida que um pai sonha para um filho! — Mas sem amor, pra quê eu vou querer viver? — Chora, Reginaldo, chora… Reginaldo, assim como Rafaela, de outro conto, outra história, só queria sentir o amor. Mas em prostitutas você não encontraria… Elas procuram o mesmo que você, e não está nem em um, nem em outro. Reginaldo nem procurava mais, Reginaldo é quem estava perdido. — Pra onde ir, se onde quer que eu vá eu estou comigo? Aonde é que eu me escondo de mim?

Aonde foi que eu me perdi de mim?

João, 60 Mil Anos

(Reblogged from ojerizar)
Hoje resolvi falar sobre ela, não que isso seja uma tarefa fácil, ta, ela não é uma tarefa fácil. Ela é um poço de defeitos. Confusa, do tipo que da um passo á frente, e uns dez pra trás, ela nunca vai falar o que ta sentindo na hora certa, vai deixar pra uma hora que aquilo não tiver mais sentido algum. Ela é estranha, e com ela não existe isso de “equilíbrio” ela é sempre o extremo, a ponta da linha, ela é dramática demais, chata demais, tudo demais. Você pode esperar tudo dela, mas, ela acaba fazendo o que você nunca esperava, é imprevisível. Ela é linda, tem uma risada que me desequilibra, perto dela eu me sinto tão… é tipo assim, ela é o oceano, enquanto eu sou gota d’agua. Me incomoda que ela fale pouco sobre ela, mas, é sempre assim, ela prefere que você se foda pra tentar descobrir o que ta passando na cabeça dela, e não é fácil, outra vez, ela faz questão de te dar mil opções, e resolve dar a verdadeira pro final. Já disse como ela é idiota? Ela é, se bem que ela disfarça bem, mas, no fundo, ela adora idiotices, é apaixonada por pessoas idiotas. Ela é apaixonada, eu não sei exatamente pelo quê, deve ser uma coisa muito maneira, porquê eu sinto vontade de me apaixonar também. No fundo, ela acredita nas pessoas, lá no fundo, ela quer que tudo dê certo. Ah, ela é mestre em fugas repentinas, deveria ser professora disso. Ela é uma crise, sabe a ultima combinação do cofre? Então, ela passa longe disso, eu suponho, que nunca vá conseguir adivinhar ou entender as loucuras dela. Ela me assusta, ela me encanta, ela é complexa, incompleta demais, parece que o tempo todo ela anda perdendo peças dela por aí, se ela fosse um quebra cabeça, ia ser mais fácil pra mim, um pouco de tempo, paciência, e dedicação, seriam o bastante, mas, ela não ta nem perto de ser um quebra cabeça, ta mais pra projeto inacabado de laboratório, a Sinfonia que Mozart não conseguiu tocar, a ideia que Einstein não teve, a frase que Shakespeare esqueceu de escrever, aparentemente, essas coisas, ninguém sente falta, mas, cara, ela nasceu pra fazer falta. Ela é saudade. Não me resta muito tempo com ela, eu acho. Ela é uma criança, um campo minado, as vezes eu tenho a impressão que ela é um exercito, depois, eu a vejo outra vez, tão pequena, tão perfeita, e escuto a respiração dela no telefone, e acima de tudo, ela é o meu mundo. Ela tem umas manias bem particulares, conheço poucas, bem que eu queria que ela fosse um pouco menos fechada, mas, meu passatempo predileto, é tentar descobri-la. Ela faz o gênero missão impossível. Ela é um problema, um problemão, ela balança com minha estrutura, vai entender, talvez eu devesse andar com um daqueles tubinhos de jato para asma. Ela é bem agridoce, tem um jeito meio embriagado, outro responsável demais, do tipo que não foge de casa no meio da noite pra ir olhar o céu lá fora, acho que ela gosta disso, ficar no lugar dela, o espaço dela, já disse que ela tem um “Keep Out” na cara, acho que faz isso pra facilitar as coisas. Depois de tudo, ela é simples, tá… depois de muito, ela é bem simples, digo, a essência, ela é impossível, deve ser por isso que eu a amo, é isso. A impossibilidade de finalmente entendê-la, e saber o que falar pra ela na hora exata, o que não falar, conosco é tudo muito improvável, muito acidental, ela é meio desastrada, cá entre nós, ela tem um queda por desastres, meu plano com ela é simples, se der errado, dane-se, tento outra vez. É estranho, ela deveria ter vindo com um manual, sei lá, umas dicas, mas, ta tudo bem, pra uma pessoa apaixonada por idiotas, com uma habilidade peculiar de confundir as pessoas, e por ter um aptidão por desastres, ela ganhou pontos comigo. Foi desenhada assim, toda sei lá, só pra me fazer feliz. Se você passar um dia com ela, não vai entender 1% do que eu to falando, se passar uma vida com ela, vai continuar no 0x0. É que, ela é um livro inacabado, a parte “tcham” da história, ela acaba comigo, me sinto completamente desprotegido, literalmente, ela é minha kriptonita. Ela foi feita pra mim, eu só não sei como dizer isso pra ela.
Sorry, I’m not Chuck Bass

(Source: orquestrando)

(Reblogged from ojerizar)

As Memórias Procriam como se Fossem Pessoas Vivas

Há pequenas impressões finas como um cabelo e que, uma vez desfeitas na nossa mente, não sabemos aonde elas nos podem levar. Hibernam, por assim dizer, nalgum circuito da memória e um dia saltam para fora, como se acabassem de ser recebidos. Só que, por efeito desse período de gestação profunda, alimentada ao calor do sangue e das aquisições da experiência temperada de cálcio e de ferro e de nitratos, elas aparecem já no estado adulto e prontas a procriar. Porque as memórias procriam como se fossem pessoas vivas. 

Agustina Bessa-Luís

(Source: cafeteria103)

(Reblogged from ojerizar)

davidpaton94:

41 Sulawesi Mountain Sunset

By Michael Matti

(Reblogged from mystic-revelations)